terça-feira, 17 de abril de 2012
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Bons tempos, Boitempo...
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
NATAL NO CAMPUS
professor de Economia Política (UECE)
E toda a cidade acordou com a música O Cio da Terra transmitida pela rádio clandestina.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
11 DE SETEMBRO: QUE O TEMPO NÃO RELEGUE AO ESQUECIMENTO
O ataque ao povo chileno inaugurou um tempo de horrores, de medo e incertezas em relação ao futuro. O tão profundo sentimento de liberdade alimentado pelo espírito humano, porém inexplicável, nos dizeres da poetisa, foi ultrajado pelos atos de violência que feriram de morte o sonho de um povo em reinventar padrões civilizatórios em que a solidariedade, o agir coletivo e democrático deveriam formar as bases de novas sociabilidades capazes de apontar para um viver emancipado do homem.
Salvador Allende, negando a submissão ao inimigo indigno, pôs fim, de forma lacônica e, ao mesmo tempo, heróica, à sua existência, mas não sem resistir, não sem lutar até o fim para deixar gravadas em fogo suas últimas palavras dirigidas a toda a nação, e que assim versavam: “Viva el Chile! Viva el pueblo! Vivan los trabajadores! Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza que mi sacrifício no será en vano, tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición” (Presidente Allende, 11 de setembro de 1973, 09:10 am, Palácio de La Moneda). Aquele dia, 11 de setembro de 1973, jamais será esquecido, mesmo que como farsa, tragicamente, a história se reescreva.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Na política não há lugar para o vazio
Depois da chamada “Primavera Árabe” que levantou multidões contra a tirania dos governos da Tunísia, Líbia, Egito, Argélia, Jordânia, Marrocos, Iêmen, Bahrein e Síria, vieram os protestos em defesa da educação pública no Chile, os “indignados” na Espanha, os incêndios e saques praticados no norte de Londres, o inconformismo da geração “à rasca” em Portugal, as manifestações contra a crise econômica na Grécia, a oposição ao governo Berlusconi na Itália, até que os protestos ganharam uma razoável perenidade por meio da ocupação estratégica de espaços públicos, tal como se viu especialmente no Occupy Wall Street - uma experiência replicada em diversas outras cidades da qual a última notícia que se tem é sobre o movimento “Ocupa Tóquio”.
No Brasil, tal como acontece noutros lugares, esses acampamentos urbanos têm resistido à forte repressão policial e à indisposição da mídia que, quando não ataca diretamente, silencia e boicota a divulgação do esforço daqueles que, há meses, mantêm de pé as barracas do Ocupa Sampa, do Ocupa Rio e do Ocupa Salvador. Por fim, há pouco mais de um mês, o dia 15 de outubro foi consagrado como o dia da “revolução mundial”, contando com a realização de protestos, ocupações, marchas, greves, fóruns, aulas públicas e demais ações contestatórias em quase 900 cidades espalhadas pelo mundo e virtualmente conectadas.
Sem querer estender o caráter informativo ou quase jornalístico desta apresentação, procurando dar conta das particularidades que melhor caracterizam cada um desses eventos – já que se sabe claramente da radical diferença entre os contextos histórico-nacionais de uma Líbia e de uma Holanda – interessa abstrair essas diferenças em nome das semelhanças e mesmo da situação típica que permite falar, senão em termos de unidade, pelo menos em termos gerais.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Memórias do terror
Professor da FACEDI-UECE
As memórias de muitos desses revolucionários - homens comuns que se rebelaram contra as formas mais sádicas e cruéis da autocracia militar - não podem desaparecer no rastro da história que se quer apagar. As novas gerações precisam conhecer a saga desses verdadeiros heróis, obtusamente ignorados por jovens que, infelizmente, celebram ensandecidos os ídolos do esporte, da música e da moda astutamente forjados pela mídia burguesa. A propósito, vejam a publicação da autobiografia de Gregório Bezerra pela Editora Boitempo e o comentário de Edson Teles sobre a Comissão Nacional da Verdade.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Dilemas
A pós-modernidade em debate
José Eudes Baima Bezerra
[Resposta]
Claudiana Nogueira de Alencar
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O que é pós-modernidade? Um diálogo com Agnes Heller e Ferenc Fehér
Para ler o artigo na íntegra clique aqui.
Fonte:
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Imperfeição denegada: o narcisismo petista e suas implicações
O espetáculo se traduz pela propaganda oficial, pela paranóia das demonstrações quantitativas do crescimento e dos investimentos realizados pelo governo, sobretudo, como forma de responder às pressões e expectativas da mídia, instrumentada pela oposição e sempre à espreita, conspirando um levante golpista; a conciliação é, por sua vez, no mínimo, forçada, já que tem em vista reatar interesses francamente antagônicos, deslegitimar as reivindicações dos setores em greve e esconder a brutal disparidade salarial e a diferença quanto à valorização existente entre as carreiras do serviço público; o ressentimento, por fim, é a tentativa recorrente de atribuir ao Outro uma culpa que é sua, como forma de se defender do real que sobrevém quando são desfeitas as ilusões simbólicas; ou seja, o governo Dilma e seus representantes agem de modo a evitar o peso insuportável de se perceber uma unidade contraditória (e isso não foi exatamente um problema para Lula, que era menos um neurótico do que um perverso, viabilizando o exercício de uma “hegemonia às avessas”) enlaçada num processo conflituoso, no interior do qual as categorias profissionais recuperam progressivamente sua autonomia política, rompendo as amarras do pacto de silêncio selado entre o Partido, a Central Sindical e o Governo que ainda se crêem “dos trabalhadores” – uma fantasia que se contrapõe à força esvaziadora do real, à perda de sentido, à impossibilidade de manter a coerência entre desejo, norma e ação, portanto, entre o que se quer, o que se diz e o que se faz.
Essas linhas de ação, contudo, traduzem de modo particular não apenas o inconsciente, aquela verdade que se esconde e que se tenta obsessivamente recalcar: o fato de que, para estupor dos puristas, o PT, desde as origens, pretendia chegar ao que é hoje, embora isso fosse intimamente velado ou sublimado num passado idealizado e só tenha se definido como desejo recôndito quando da conformação exata do Outro que lhe impõe expectativas e com o qual procura, de todas as formas, evitar a identificação – o PSDB. Essas linhas de ação, pois, revelam não apenas o inconsciente, mas também a consciência, as convicções de um “eu” que se quer sabedor de suas vontades, de seu poder e de seu lugar no mundo: um eu narcisista. Tome-se qualquer discurso, de qualquer representante do governo (seja ministro, secretário, parlamentar, reitor, assessor...) e se verá a defesa incondicional do “Império” que se está construindo. A conotação monárquica não é sem razão de ser. A democracia se tornou uma figura retórica, quando não um estorvo. O direito ao contraditório ou a simples contraposição é vista como uma inconveniência – pior, uma afronta, um desrespeito, tal como tive a oportunidade de assistir bestificado na última reunião com o Reitor do IFCE, como membro do Comando de Greve.
O narcisismo petista é uma linha geral de orientação às ações dos representantes do governo e mesmo de seus aliados. Só quando os grevistas de hoje ensaiam grandes manifestações e relembram as cenas do passado que se quer esquecer, as reuniões são, enfim, concebidas – porém, conduzidas com o pressuposto da impertinência, o que só pode ser explicado pela presunção da verdade, pelo fato de que, sem limites à vaidade, o governo crer que tudo é como deve ser, agindo conforme uma vontade geral que, não raro, ganha a conotação de ordem natural das coisas. Daí a acusação freqüente de que os grevistas são contrários ao “projeto nacional do governo” e, em particular, de que os professores se opõem à “expansão da rede federal de ensino profissional e tecnológico”.
O que nos preocupa, no entanto, não é apenas o fato de que somos acusados, a pretexto, de aliança com os setores mais conservadores da mídia e da política, como se não tivéssemos autonomia para apresentar nossas reivindicações e exigir seu cumprimento ou, ainda, o fato de que isso demonstre sutilmente que o governo opera com uma máxima perigosamente excecionária: “quem não está comigo, está contra mim”. O que nos preocupa, mesmo como hipótese, é justamente a conseqüência inarredável que acomete o narcisismo: não podendo agir contra si mesmo - reconhecendo seus limites, contradições e falhas -, resta ao eu narcísico realizar essa pulsão destrutiva, agressiva e violenta sobre os outros, sobre aqueles que podem apontar-lhe a contradição essencial de que padece porque são a própria contradição, e, deste modo, afrontam-no como se fossem um espelho a refletir, para além de toda a beleza aparente, a imperfeição denegada.
Veja o vídeo-resposta: O inconsciente político do PT
sábado, 1 de outubro de 2011
Esta postura levou o governador a mandar(!) o poder legislativo aprovar tediosa lei que estabelece um raio de 40 quarteirões em volta do Palácio da Abolição como área de segurança que pode ser interditada sempre que o governo quiser, legalizando seu medo e desprezo para com as lutas do povo cearense. A conjugação da força bruta com artificiosas manobras legais e midiáticas para conter o conflito convive, harmoniosamente, com a corrupção e os esquemas de enriquecimento ilícito amplamente denunciados no caso dos banheiros e dos empréstimos consignados dos servidores, ambos envolvendo figuras centrais do governo.
Ao mesmo tempo, convoca os professores da UECE a participarem do ato/passeata do movimento grevista que ocorrerá segunda-feira, dia 03 de Outubro, saindo da Assembléia Legislativa às 14 horas até o Palácio da Abolição.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O inconsciente político do PT
Em resposta aos ataques desferidos pelo senhor Eliezer Pacheco (Setec-MEC/MPT) contra os servidores em greve (vide o artigo A crise, o fascismo e as corporações), o sociólogo Paulo Massey, professor do IFCE, expôs, num pequeno vídeo, algumas considerações sobre a forma como o governo federal, por meio de seus representantes, tem tratado os manifestantes, e o quanto isso constitui um sintoma a partir do qual é possível revelar certa verdade que se esconde. A argumentação está centrada na idéia de que o espetáculo (dos números, da propaganda oficial, da projeção midiática da imagem do governo), a conciliação (dos contrários, dos conflitos, ignorando as disparidades que perpassam a expansão dos IF’s) e o ressentimento (como atribuição da culpa ao Outro) configuram as linhas gerais de ação do Governo Dilma por meio das quais se expressa aquilo que seria o seu “inconsciente político”. Confiram!
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Professor Qualis A
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Vidas que se fazem das sobras...
terça-feira, 19 de julho de 2011
Diário de Classe
segunda-feira, 13 de junho de 2011
"É preciso estar atento e forte..."
No entanto, a grande contradição gestada desde o “parto” dessas universidades, segundo o presidente da SINDUECE, vem à tona quando se tem em vista os impactos sócio-culturais e a função política que estas instituições cumpriram e continuam cumprindo, não apenas na capital, mas fundamentalmente no interior do estado, onde foram instalados diversos campi que, malgrado o discurso da interiorização e as condições precárias em que funcionam, surpreendem pela capacidade de formação qualificada de professores. Não por outro motivo, os principais interessados em soerguer do abandono essas instituições ou, quando necessário, enfrentar os interesses patrimonialistas encastelados são justamente aqueles que vêem na formação superior não apenas um meio de garantir sua subsistência ou a qualificação técnica exigida pelo mercado, mas uma condição para o livre desenvolvimento de suas capacidades e para a fruição da cultura em geral, proporcionada pela integração entre sociedade e academia, demarcando com isso as linhas fundamentais do projeto de universidade que estão dispostos a construir. Por isso mesmo, interessa à SINDUECE se juntar a esses atores, desbordando, inclusive, os limites conjunturais da luta sindical, assentados na melhoria das condições de trabalho e nos planos de carreira dos docentes, e intervir concretamente na discussão em torno de um projeto de universidade “pública, gratuita, democrática e de qualidade”.
terça-feira, 24 de maio de 2011
O retorno da dialética...
IFCE-Baturité
paulomassey@ifce.edu.br
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Viagem às origens...
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Com açúcar e com afeto...
Cogito ergo sum: o pensamento de René Descartes
Prof. Paulo Massey - IFCE-Baturité
As transformações ocorridas ao longo do século XVI, substanciadas na retomada renascentista do pensamento clássico, abalaram não só as estruturas dogmáticas do pensamento religioso, calcado na autoridade eclesiástica e na provação de fé, mas também criaram um ambiente ofegante de dúvida e desencanto em relação ao mundo e à tarefa de conhecê-lo em sua verdade. A ironia cética (de um Montaigne) surge, então, como desafiadora das intenções mais ou menos pretensiosas, iluminadas por Deus ou pela experiência. Num ambiente de profunda descrença quanto à objetividade do conhecimento humano, restara apenas um caminho à ciência: o método. Nessa empreitada, pois, o empirismo indutivo de Bacon e o racionalismo dedutivo de Descartes encenam as grandes querelas do século XVII e semeiam as linhagens fundadoras da ciência moderna, estendidas até os nossos dias.
Descartes, contudo, não se furtara a esta conjuração contra a razão e contra o dogma: impôs-se também a disciplina da dúvida, do questionamento. Ao seu modo, porém, o fez de forma metódica, levando-a às últimas conseqüências justamente para provar o contrário; parecia-lhe impossível vencê-la evitando-a ou pretendendo reconfortar-se no âmago de certezas frágeis, isentas da provação cética. Partindo da existência de idéias claras e distintas, concebidas igualmente por todos, Descartes pretende ampliar a “cadeia de razões” que permitiria a construção de uma “matemática universal”: a perfeita sabedoria aplicada a quaisquer objetos. Esse princípio de evidência e clareza, porém, circunscreve-se às certezas da subjetividade, e só têm força de evidência as idéias que são claras – uma tautologia, portanto. Era preciso garantir que essas idéias, além de claras, correspondessem a algo real. Para levar a dúvida a uma dimensão extrema, hiperbólica, o filósofo da razão moderna traz à cena o malin génie – o gênio maligno, uma assombrosa ilusão que mantém os homens presos no universo interior da consciência, distantes ou infensos ao mundo exterior, tal como os alumnu de Platão que vivem na escuridão da caverna ou os idola de Bacon. Porém, um certo desejo de fugir à dúvida renitente leva, contrariamente, à dúvida metódica, ou seja, se duvido penso, e ao duvidar do que penso consigo extrair daí um núcleo de certeza que se acumula e se expande, até sua radicalidade. Assim como na ordem natural de uma progressão matemática, também para o conhecimento das coisas mundanas procedemos de acordo com o que já temos: o conhecimento existente, em relação ao qual o desconhecido constitui apenas um dado relativo, cuja ordem, natureza ou função é possível desvelar numa cadeia de termos relacionais. Para isso, porém, é preciso ir além do preceito de evidência, pois, nem tudo aparece imediatamente intuível. Outros procedimentos precisam ser acionados: a análise, a síntese e a enumeração. Contudo, será vã a tarefa de desenvolver tais instrumentos procedimentais se não estiver resolvida a questão epistemológica fundante desta atividade: a possibilidade de conhecer algo exterior e objetivo (a natureza). Até então, a dúvida levara apenas à existência solipsista do ser pensante – “penso, logo existo”. Ir além, chegar à objetividade do mundo existente fora da consciência – o mundo físico, onde se situa seu próprio corpo – requer o interregno de uma força maior, a garantia última de qualquer existência: Deus. Tratava-se, porém, não de demonstrar a existência de Deus (res infinita), mas de demonstrar que, por que Deus existe, existe a idéia de Deus (res cogitans). Surge então, no sistema de deduções lógicas de Descartes, o bon Dieu que torna impossível o malin génie, ou seja, a sabedoria de Deus, que não permite o erro, o engano, a injustiça. O Deus cartesiano é, assim, a garantia da objetividade do conhecimento científico.
(Texto utilizado em sala de aula, no 1° semestre do curso de Gastronomia do IFCE - Campus Avançado de Baturité. Disciplina: Metodologia do Trabalho Científico)
quarta-feira, 6 de abril de 2011
STF: HORROR E CINISMO
Certa vez ensinou o jurista George Jellinek (1851 – 1911) que as normas jurídicas não poderiam escapar às “forças normativas da dimensão fática”, alertando que as leis delineadoras das ações não poderiam negligenciar o poder dos fatos sociais. A sensibilidade de captar os sentimentos e anseios contidos nos clamores populares, nas manifestações sociais, nas vísceras vicejantes do fazer cotidiano de uma sociedade parece ser capacidade em falta em nossos ministros do STF, tribunal muito bem caracterizado por importante filósofo uspiano de casa dos horrores. Nos últimos dias, a assustadora casa deu mais uma prova de seu temido repertório de perversidades ao rejeitar projeto de lei endossado por mais de um milhão de cidadãos brasileiros que lá gravou sua assinatura, afora aqueles que mesmo distantes das pilhas de papéis que movem o Estado burocrático brasileiro, deixaram sua marca na história por palavras de ordem.
Tão assustador quanto foi assistir com que indiferença a maior parte dos doutos ministros alertavam para os “perigos” em se considerar a paixão vinda das ruas como elemento determinante na decisão técnico-jurídica que deveriam tomar, afirmando que o papel que desempenhavam era o da defesa dos valores consagrados na carta magna de 1988. O argumento vencedor destacava o clima de insegurança jurídica que poderia ser gerado ao se mudar as regras do jogo com o mesmo em andamento. Pelo que me consta, os pretendentes a cargo parlamentar atingidos pela nova legislação seriam aqueles já condenados em alguma instância judicial, devendo os mesmos ser impedidos de disputar cargos públicos até que a querela jurídica fosse solucionada. Ora, não se trata de ataque à presunção de inocência, mas, antes, uma medida protetora da sociedade daqueles que aspiram ao poder político e são marcados por evidentes desvios éticos, poder tão próximo neste país dos mais temidos arroubos autoritários.
Considerar os valores contidos na constituição de 1988 como imutáveis, congelados no tempo revela mais um impressionante, e por que não dizer cínico, recurso retórico que nega o caráter mutável, histórico e contingente dos valores de cada época, valendo-se de tal engodo discursivo para legitimar verdadeiros atentados à vontade e iniciativa populares, trazendo à tona o caráter nebuloso e insólito das decisões do referido tribunal que, nos últimos anos, além de ter dado provas da simpatia por banqueiros criminosos, acaba de incluir mais uma categoria no panteão às avessas de seu show de bizarrices: políticos corruptos.
Do que se trata, portanto, é nos perguntar sobre as bases efetivamente democráticas de tais decisões e a capacidade destas de refletir a realidade escancarada das mudanças há muito gestadas e reivindicadas por um país ainda neófito nas práticas democráticas, uma vez que são tomadas por sujeitos que se julgam acima da roda viva da história, como que se pronunciassem dum limbo marcado pela vacuidade, impossível de ser influenciado pelas verdades do mundo profano. Eis mais uma cena do espetáculo maldito do circo dos horrores.
David Moreno é Cientista Social (UECE); Mestre em Sociologia (UFC); Professor de Sociologia do IFCE. Artigo publicado no Jornal O Povo (clique aqui para ver)
terça-feira, 29 de março de 2011
A Odisséia de Lukács
UMA INCURSÃO NO PENSAMENTO LUKACSIANO
Epitácio Macário
O artigo procura evidenciar a relação entre práxis e formação da personalidade na perspectiva do pensamento de Gyorgy Lukács. A caracterização do trabalho e da práxis social conduz à constatação de que a ação do homem sobre a natureza e a sociedade é transformadora e opera decisões entre alternativas. A personalidade constitui-se da cadeia de decisões operadas pelos indivíduos durante sua vida.
(clique aqui para ver o artigo completo)
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Professores produzem, apesar das condições
Prof. de Economia Política da UECE.
Presidente da SINDUECE
A produção da 1ª vacina vegetal do mundo pela equipe de pesquisadores liderada pela Dra. Isabel Guedes, do Laboratório de Bioquímica Humana da UECE, constitui fato de grande relevância para a comunidade científica internacional e para a humanidade.
Para os cearenses, o evento tem significado ímpar. O antídoto, já testado com êxito em camundongos, é um passo decisivo no enfrentamento da dengue, epidemia cuja voracidade tem vitimado número crescente da população brasileira, colocando Fortaleza entre as cidades mais atingidas.
Os professores das universidades estaduais cearenses têm algo a mais para comemorar. Trabalhando em condições precárias, estufados de aulas, sem infraestrutura adequada, o fato demonstra compromisso e tenacidade no exercício do mister, além de provar elevada capacidade intelectual e científico.
Mais uma vez, a criatividade e iniciativa dos docentes dão uma lição à fanfarronice das autoridades acerca do desenvolvimento de ponta do estado, enquanto tratam as nossas estaduais como filhas bastardas.
Aos fatos: a simples expansão do dito laboratório aguarda há 18 meses para ser iniciada; a carência de professores era de 222 vagas em 2010, podendo ter aumentado; na FAFIDAM, o número de professores substitutos será quase igual ao de efetivos este ano; a contratação de substitutos tem violado preceitos da lei que rege a matéria; o hospital veterinário e o restaurante universitário não foram concluídos; já o complexo poliesportivo não foi iniciado. Probatio incumbit neganti.
O protagonismo dos pesquisadores em epígrafe rebaterá positivamente em todos os que fazem as universidades públicas do Estado. Quiçá, mova a atenção do governo para os problemas existentes nessas instituições, a começar pelo concurso para solucionar a histórica carência de professor efetivo.
